domingo, 22 de maio de 2011

A prática: O melhor laboratório da Educação Física

Acabamos de encerrar nossas aulas práticas e podemos afirmar definitivamente que apesar de esperado, devido às experiências prévias, dar aulas, principalmente para crianças, é sempre uma grande surpresa.
Hoje, não gostaríamos ainda de fazer uma análise técnica das aulas, mas gostaríamos de descrever um pouco as experiências vivenciadas, aquilo que nos despertou atenção positivamente, mas também aquilo que nos surpreendeu negativamente. Gostaríamos de apresentar nossos alunos e compartilhar parcialmente uma experiência tão motivadora, porém desafiadora.

Como mencionado na última postagem, vivíamos um dilema acerca da nossa tarefa inicial (Poomse) que compreendíamos ser falha e passamos a estudar as Ginásticas (rítmica e acrobática) como forma de um aprendizado mais coeso para vivências motoras e exploração corporal, requisitos necessários para o nosso objetivo. Trocamos experiências e leituras entre nós, conversamos com a professora Luciene e com o professor Alessandro, com o objetivo de reconhecermos se essa coerência realmente estava presente e, para nossa satisfação, não houve retaliações em relação às tarefas escolhidas, então o que restava era  a prática. 
Partimos então para as escolhas e adaptações das tarefas. Já estávamos fazendo leituras sobre o assunto e estudando práticas adequadas a faixa etária (2ª infância), então partimos para os estudos de tarefas que atrelassem a faixa etária mais os elementos das Ginásticas Acrobáticas e Rítmicas. As tarefas de GACRO (Ginástica Acrobática) exigiram maior atenção, pois além de serem desconhecidas por parte do nosso grupo, tínhamos a noção que as exigências de execução eram maiores, já que podem acarretar riscos aos alunos, se mal executadas.  Então, para a montagem dessa aula, consultamos alguns artigos específicos de GACRO como, por exemplo, o artigo Redescobrindo a Ginástica Acrobática (2008) de Fernanda Merida, Vilma Piccolo e Marcos Merida, que nos ilustrou de forma objetiva os requisitos básicos e fundamentais para a montagem das tarefas. Também utilizamos outros artigos, como o já citado "Em defesa da ginástica acrobática na escola" de Lourenço França, que contribuiu com a noção de figuras e formações de desenhos acrobáticos, além de informações importantes, sem contar com o, também já citado, livro Manual teórico-prático de educação física infantil, que é extremamente rico nas informações sobre os pequenos alunos, além de uma extensa diversidade de tarefas que nos proporcionou executar aulas criativas, diversificadas, mas acima de tudo adequadas.
A montagem das aulas de GR (Ginástica Rítmica) também contou com a participação do mesmo livro, além de vários artigos que estimulam e explicam pedagogicamente as atribuições e importância da GR em iniciação escolar, além de trazer explanação sobre elementos básicos da rítmica que foram fundamentais para as criações das tarefas.
Nesse processo também foram observados os processos metodológicos e pedagógicos de ambas as modalidades, como aprendizagem global e analítica na GR (Caçola, 2007) e construção por etapas, da base para a complexidade (França, s/d) na GACRO. Também construímos critérios de análise de aprendizagem, em check list, do qual analisamos durante as aulas critérios pré-estabelecidos que serão complementados com as observações dos vídeos, para construirmos nossa análise de aprendizagem.

Anteriormente a prática já imaginávamos que de certa forma, o objetivo das nossas aulas era proporcionar uma metodologia de iniciação ao esporte (Greco, 1998) que proporcionasse uma aprendizagem provavelmente em longo prazo, mas que priorizasse (principalmente na 2ª infância) em experiências motoras, contribuindo assim para a formação integral do indivíduo, e isso foi constatado, principalmente pelas observações feitas ao longo das aulas, do qual observamos uma dificuldade imensa dos alunos realizarem elementos básicos, que já deveriam estar maduros, como por exemplo, o rolamento (cambalhota). Essas surpresas que surgiram na prática, nos fez perceber de forma mais sólida que nem sempre conseguimos seguir os manuais e os planejamentos previamente construídos, mas principalmente nos fez comprovar que como afirmam muitos manuais, as crianças de hoje em dia, pouco exploram seu corpo,  o que acarreta em diversos problemas (como será discutido nas próximas postagens), mas principalmente limitando sua consciência corporal o que limita automaticamente a iniciativa de vivenciarem através do corpo a ludicidade que a sua idade proporciona.

Fotos dos nossos alunos:

Isabella, 11 anos.

Débora, 7 anos.

Gabriel, 9 anos.

Matheus, 9 anos.

Apesar da exaustão e das dificuldades, acreditamos que as aulas aplicadas puderam proporcionar aos alunos a proposta principal de trabalho e trouxeram a nós, meros iniciantes nesse universo da educação física, a alegria de após cada término de aula, ouvir sorrisos ofegantes e um "Já acabou? ahn... queria mais.", ilustrando positivamente que as aulas não tradicionais também são capazes de proporcionar aprendizagem, desenvolvimento, ludicidade e sociabilização, fatores importantes na formação das crianças.
A partir de agora, temos o objetivo de organizar as literaturas que constituem nosso projeto, atrelando a estudos anteriores e a todo material colhido das aulas práticas para organizarmos todos os detalhes possíveis que seguem desde o plano de aula com todos os dados analisados e pré-estipulados para a aplicação e análise das aulas, até fatores extra aula, porém que constituem o universo presente das crianças da segunda infância.
Nossas aulas e estudos serão postados de acordo com as conclusões e análises que faremos daqui em diante, além da preparação do possível encontro que teremos com os alunos, para proporcionarmos em outro contexto, a possibilidade de explorar novamente movimentos já trabalhados e também novas composições, já que as crianças são fontes inesgotáveis de energia e criatividade.

Referências bibligráficas:

Livro:

RODRIGUES, Maria
Manual teórico-prático de educação física infantil
7ª edição. Editora: Ícone, São Paulo, 1997.

Artigos:

CAÇOLA, Priscila
A iniciação esportiva na ginástica rítmica.
Revista Brasileira de Educação Física, Esporte, Lazer e Dança, v. 2, n. 1, p. 9-15, mar. 2007.

COLLAÇO, Julia T. D. / SILVA, Eduardo C. da / FERNANDES, Luciano L.
Ginástica Rítmica: Modalidade desenvolvida pela escola infantil de esportes.
Universidade Federal de Santa Catarina.
Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária - Belo Horizonte – Setembro de 2004.

FRANÇA, Lourenço
Em defesa da ginástica acrobática na escola.

MACHADO, Viviam C. e FILHO, Raul F. A.
Inclusão de movimentos básicos da ginástica rítmica nas aulas de Educação Física escolar
Efdeportes - Revista Digital, Buenos Aires, Ano 14, nº 141, 2010.

MÉRIDA, Fernanda e PICCOLO, Vilma Leni N.
Ginástica Acrobática: Um estudo sobre a prática pedagógica
Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 6, ed. especial, p. 367-376, jul. 2008.

MERIDA, Fernanda/ MERIDA, Marcos e PICOLLO, Vilma Leni N.
Redescobrindo a Ginástica Acrobática
Movimento, Porto Alegre, v. 14, n. 02, p. 155-180, maio/agosto de 2008.

SCHRUBER, Juliano Rodrigues e AFONSO, Carlos Alberto.
 A iniciação esportiva universal nas aulas de educação física.

TOLEDO, Eliana de.
Propostas de ações motoras em ginástica rítmica desportiva
Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 1995.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas....

Como mencionado na última postagem, tínhamos o objetivo de no início dessa semana montar as tarefas da aula de aprendizagem, além de trabalhar o embasamento teórico aprofundando em pontos específicos. Paralelamente conversamos com os professores, no caso com a Maria Rita e com o Gimenez, além de já termos conversando com o professor Alessandro sobre nossa tarefa. De forma geral, obtivemos uma receptividade aceitável, porém alguns questionamentos nos fizeram perceber que nossa tarefa era muito pobre no sentido de aprendizagem, pois o Poomse, apesar de ser um belo elemento com combinações de movimentos, não trabalha essencialmente com o que precisamos que são os elementos fundamentais, sendo que teríamos que construir outras tarefas para abrigar esses elementos  junto aos do pommse para justificar nosso embasamento teórico, não tendo uma finalidade específica de atividade, além de grande probabilidade de erro, pois a aula nesse caso não seria aplicada com finalidade de se obter um novo aprendizado.
Nesse processo, também fizemos leituras sobre a iniciação esportiva para a 2ª infância. Exemplificações e textos que citam o autor Juan Pablo Greco e outros com Rodolfo Benda (1998) nos abriram os olhos pra a questão da inserção da iniciação esportiva universal nas aulas de educação física, proporcionando entendimento que é possível que ela ocorra, desde que em métodos adequados e coerentes com as faixas etárias e com as  prévias experiências motoras dos alunos.
Partindo desse ponto, começamos a pesquisar possibilidades em diversas modalidades, de forma que encontrássemos alguma que trabalhasse na sua essência com atividades de refinamento e junção dos elementos fundamentais, para que a partir dessas experiências os alunos pudessem atingir o objetivo "final" de sua aprendizagem. Nesse meio tempo surgiram coisas inusitadas, como o escoteirismo, que veio através de indicação, do qual fomos procurar conhecer como trabalhavam, mas após a leitura do manual dos escoteiros (site oficial escoteirismo no Brasil - publicação em PDF) e de conversas com profissionais de educação física que trabalham no Escoteirismo Brasil, surgiram  percepções que a formação inicial com crianças de 7 a 10 anos (chamados Lobinhos no Escoteirismo) tinham um foco quase que absoluto na formação moral e social, com poucas atividades que proporcionassem a aprendizagem e o desenvolvimento motor. Voltamos então a práticas tradicionais, sendo levantadas possibilidades como: peteca, arremesso de discos e até mesmo skate, do qual refletimos sobre tal, e até encontramos elementos fundamentais como manipulação do objeto skate  (controle sobre tal), estabilizante (equilíbrio sobre o objeto) e locomotores (deslocamento no espaço com o objeto), entretanto, apesar de tais características, entendemos após rever as leituras sobre tarefas para crianças, que essa aprendizagem limitaria o processo em prol da execução do equilíbrio, que é extremamente importante, porém deixando de lado a oportunidade de diversos outros trabalhos, já que por falta de experiência de nossa parte, não saberíamos aplicar a aula com skate explorando outros fundamentos e isso não se encaixa no foco do nosso interesse.
Dentre tantas pesquisas, conversas e discussões surgiram novas possibilidades. Em desfecho ao assunto escoteirismo, surgiu  leituras sobre Ginástica Acrobática (Piccolo, 2008 ; França - s/d) que desembocou em leituras sobre Ginástica Rítmica (Toledo, 1995; Machado e Filho, 2010; Caçola, 2007). O livro Manual teórico-prático de Educação Física Infantil de Maria Rodrigues (1997), também nos mostrou diversas possibilidades que agreguem a iniciação esportiva na educação infantil, junto a atividades lúdicas e recreativas em uma vasta gama de tarefas que proporcionem o foco de aprendizagem de elementos iniciais tanto na Ginástica Rítmica (GR) quanto na Acrobática (GA) de forma valiosa para o processo de desenvolvimento da criança.
Essa nova ideia ainda está em processo de amadurecimento porque precisamos de mais leituras sobre o assunto, essencialmente que corroboram com o que já foi lido e outros que questionem tais práticas, para que possamos defender de forma coerente nossa aula. Por isso, pretendemos conversar hoje com a professora Luciene e se possível com outros professores, para enxergarmos questionamentos até então despercebidos. Sabemos que o tempo é escasso e tais dúvidas recorrentes poderão prejudicar a execução do nosso projeto, porém também entendemos que tais dúvidas surgem da preocupação de um projeto bem realizado que abrace o interesse dos nossos alunos, proporcionando uma experiência marcante.
Após a resolução sobre a indecisão da pertinência do trabalho de Ginástica (rítmica e talvez acrobática) que será discutido hoje impreterivelmente, aplicaremos as aulas. Já temos nossos voluntários, o espaço que será executado as aulas e boa parte das tarefas se prosseguir nesse rumo. Logicamente necessitamos de mais leituras que serão realizadas ao longo do processo de filmagem que devem durar alguns dias. Além da consciência de que a teoria envolve e responde muitas questões, mas que somente na prática perceberemos nossas falhas e sucessos.
Definitivamente estamos ansiosos e preocupados com o trabalho, mas acreditamos que seja possível a realização de um bom projeto, pois mesmo com inúmeras falhas (que provavelmente terá), temos buscado ao máximo a elaboração de algo que realmente valha a pena, e que seja significativo para nós (alunos e professores), para nossos professores, mas principalmente para nossos alunos, marcando sua consciência corporal para sempre.

Referência Bibliográficas

Livro:

RODRIGUES, Maria
Manual teórico-prático de educação física infantil
7ª edição. Editora: Ícone, São Paulo, 1997.

Artigos:

CAÇOLA, Priscila
A iniciação esportiva na ginástica rítmica.
Revista Brasileira de Educação Física, Esporte, Lazer e Dança, v. 2, n. 1, p. 9-15, mar. 2007. 

FRANÇA, Lourenço
Em defesa da ginástica acrobática na escola.

GIMENEZ, Roberto / UGRINOWITSCH, Herbert.
Iniciação esportiva para crianças de segunda infância.
ConSCIENTIAE Saúde. Revista científica UNINOVE, São Paulo, V.1: 53-60.

GRECO, Pablo Juan
Iniciación Deportiva Universal: "Escola da Bola"

MACHADO, Viviam C. e FILHO, Raul F. A.
Inclusão de movimentos básicos da ginástica rítmica nas aulas de Educação Física escolar
Efdeportes - Revista Digital, Buenos Aires, Ano 14, nº 141, 2010.

MEMMERT, Daniel
Escola da Bola: Jogos de rede e raquetes
Departamento de esportes. Abril, 2003.

MÉRIDA, Fernanda e PICCOLO, Vilma Leni N.
Ginástica Acrobática: Um estudo sobre a prática pedagógica
Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 6, ed. especial, p. 367-376, jul. 2008.

SCHRUBER, Juliano Rodrigues e AFONSO, Carlos Alberto
 A iniciação esportiva universal nas aulas de educação física.

TOLEDO, Eliana de.
Propostas de ações motoras em ginástica rítmica desportiva
Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 1995.

Site:
www.escoteiros.org.br

domingo, 15 de maio de 2011

Aprendendo a ensinar ... O início do projeto - 3º Semestre/ Educação Física

A educação física tem como um dos seus principais objetivos, proporcionar o ensino das mais variadas atividades que envolvam movimento, sejam elas simplesmente recreativas ou esportivas, nas escolas ou nos centros particulares, como trabalho e como lazer, como representação de arte, mas principalmente como contribuinte da formação e do desenvolvimento total do indivíduo. 
Connolly (1986) afirma que “... a aquisição de habilidades estaria condicionada por uma intricada rede de interações que vai do gene aos ambientes físico e social.” (citado por TANI, GO. p. 37, 2005)

Portanto, é a partir desse contexto que, como professores de Educação Física, temos o objetivo para esse semestre construir um projeto que abrigue conceitos de aprendizagem e desenvolvimento motor, atrelados a dança e ao ritmo, instrumentos significativos para a totalidade dos indivíduos.
Ao decorrer do semestre, temos aprendido os mais diversos conceitos em todo o módulo, mas como uma linha de trabalho, nosso grupo tem como objetivo a clara compreensão dos tópicos que levanta, interligando-os em todos os conteúdos. Partindo de um trabalho de dança, do qual apontávamos a importância da interioridade de  "Saber que se é e sentir-se como se é" (Brikman, p.16,1989), seguimos para um dos primeiros entendimentos do ritmo, que de maneira equivocada aplicamos a interioridade em um ritmo de metrônomo, mas que posteriormente nos levou a compreensão e esclarecimento da existência de dois ritmos importantes: o métrico e o espontâneo. Atrelados a isso, dentro da segunda infância (7 a 10/11 anos - Piaget, 1982/ Gallahue e Ozmun, 2003 e Kephart) aplicamos a nossa primeira tarefa (corda) com relevância em conceitos de aprendizagem motora que foi utilizado sequencialmente junto com tudo que havíamos feito, para o entendimento da importância do desenvolvimento da consciência corporal nesses indivíduos. As criações de composições coreográficas e as variadas tarefas rítmicas  proporcionaram bagagens para a compreensão de como criar, como entender possíveis situações fora do nosso contexto e como interligar tipos de tarefas e habilidades a serem desenvolvidas e em como desenvolvê-las, utilizadas na criação de tarefas rítmicas que objetivava o trabalho coordenativo, que apesar de não muito feliz, nos trouxe a experiência e o entendimento da importância do trabalho da coordenação motora, essencialmente na segunda infância, do qual exploramos as mais diversas variáveis da faixa etária, conhecendo suas características, mas principalmente entendendo a importância da influência da sociedade hoje, no desenvolvimento de um grupo que está adentrando no âmbito escolar, que é sua porta para a sociedade, ou em atividades esportivas em outros centros, mas que se de forma consciente, poderá ter uma formação com a contribuição do trabalho do professor de educação física, proporcionando as mais ricas e variadas tarefas.

Sendo assim, escolhemos os requisitos básicos para o nosso projeto. A princípio havíamos escolhido trabalhar com idosos, porém não tínhamos pessoas nessa faixa etária disponíveis a contribuir com o nosso projeto, então optamos pelo trabalho com a segunda infância, como uma continuidade, já que tivemos a oportunidade de estudar sobre tal grupo etário, além da disponibilidade de crianças para a contribuição do projeto, sendo que a princípio vamos trabalhar com três crianças, dois meninos e uma menina.
Quanto à tarefa, depois de muitas discussões e ainda com muitas dúvidas, optamos por trabalhar com elementos de uma variável do Taekwondo que é o Pommse, mas entendemos também que como uma luta considerada esportiva e com elementos de execução que exigem performance do aluno, reconhecemos a necessidade de adequar a tarefa, trabalhando seus elementos, porém interligando com aquilo que reconhecemos, depois dos estudos, como fundamental da faixa etária: a interligação e refinamento de movimentos fundamentais (estabilizantes, locomotores e manipulativos - Gallahue) desembocando automaticamente em tarefas coordenativas. Sabemos que os elementos do Poomse, assim como alguns elementos de tarefas coordenativas não são novos de forma isolada, justamente porque, assim como afirma Gallahue e Ozmun (2001) os movimentos fundamentais deveriam estar maduros, sendo aprimorados (pois já foram aprendidos) e não especificados (tendência desenvolvimentista), mas podem ser novos em suas possíveis combinações, trazendo as características de atividades recreativas, proporcionando aos alunos novas experiências que passem pelas fases cognitivas, associativas e autônoma (Fitts e Posner, 1967), com uma complexidade maior, em relação aos movimentos isolados, mas proporcionando a liberdade de criação e exploração dos alunos nos mais diversos componentes das tarefas.
Essas aulas serão construídas com base nos estudos e nas experiências já realizadas, atrelados a novos estudos específicos da área para que, diferentemente de outras oportunidades, possamos aplicar tarefas que cumpram nossos objetivos e metas de aprendizagem e desenvolvimento. Ao decorrer dessa semana, aplicaremos e filmaremos o processo de aprendizagem de tais tarefas, que se realizadas com sucesso, serão apresentadas ao vivo no dia do projeto, em forma de transferência em uma atividade dançante, do qual os alunos executarão os movimentos do poomse de forma livre, em um novo contexto, entendendo que mesmo apesar da não exigência de performance, os elementos uma vez incorporados, fazem parte não só da sua programação motora, mas da sua memória corporal.
Ainda temos muito a construir, tarefas, aplicação de aula, transferência e principalmente embasamento teórico, e esperamos acima de tudo, não só fazer um trabalho que toque, mas que realmente nos ensine a ensinar. 

Referências bibliográficas:

BRIKMAN, Lola.
A linguagem do movimento corporal.
2º edição. Editora: Summus - São Paulo, 1989.

GALLAHUE, D.L. & OZMUN, J.C.
Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos.
São Paulo, Editora: Phorte, 2003.

SCHMIDT, Richard A. e WRISBERG, Craig A.
Aprendizagem e Performance Motora.
 2º edição - Editora: Artmed, Porto Alegre, 2001.

TANI, GO
Comportamento Motor – Aprendizagem e desenvolvimento.
 Editora: Guanabara Koogan – Rio de Janeiro, 2005.