domingo, 15 de maio de 2011

Aprendendo a ensinar ... O início do projeto - 3º Semestre/ Educação Física

A educação física tem como um dos seus principais objetivos, proporcionar o ensino das mais variadas atividades que envolvam movimento, sejam elas simplesmente recreativas ou esportivas, nas escolas ou nos centros particulares, como trabalho e como lazer, como representação de arte, mas principalmente como contribuinte da formação e do desenvolvimento total do indivíduo. 
Connolly (1986) afirma que “... a aquisição de habilidades estaria condicionada por uma intricada rede de interações que vai do gene aos ambientes físico e social.” (citado por TANI, GO. p. 37, 2005)

Portanto, é a partir desse contexto que, como professores de Educação Física, temos o objetivo para esse semestre construir um projeto que abrigue conceitos de aprendizagem e desenvolvimento motor, atrelados a dança e ao ritmo, instrumentos significativos para a totalidade dos indivíduos.
Ao decorrer do semestre, temos aprendido os mais diversos conceitos em todo o módulo, mas como uma linha de trabalho, nosso grupo tem como objetivo a clara compreensão dos tópicos que levanta, interligando-os em todos os conteúdos. Partindo de um trabalho de dança, do qual apontávamos a importância da interioridade de  "Saber que se é e sentir-se como se é" (Brikman, p.16,1989), seguimos para um dos primeiros entendimentos do ritmo, que de maneira equivocada aplicamos a interioridade em um ritmo de metrônomo, mas que posteriormente nos levou a compreensão e esclarecimento da existência de dois ritmos importantes: o métrico e o espontâneo. Atrelados a isso, dentro da segunda infância (7 a 10/11 anos - Piaget, 1982/ Gallahue e Ozmun, 2003 e Kephart) aplicamos a nossa primeira tarefa (corda) com relevância em conceitos de aprendizagem motora que foi utilizado sequencialmente junto com tudo que havíamos feito, para o entendimento da importância do desenvolvimento da consciência corporal nesses indivíduos. As criações de composições coreográficas e as variadas tarefas rítmicas  proporcionaram bagagens para a compreensão de como criar, como entender possíveis situações fora do nosso contexto e como interligar tipos de tarefas e habilidades a serem desenvolvidas e em como desenvolvê-las, utilizadas na criação de tarefas rítmicas que objetivava o trabalho coordenativo, que apesar de não muito feliz, nos trouxe a experiência e o entendimento da importância do trabalho da coordenação motora, essencialmente na segunda infância, do qual exploramos as mais diversas variáveis da faixa etária, conhecendo suas características, mas principalmente entendendo a importância da influência da sociedade hoje, no desenvolvimento de um grupo que está adentrando no âmbito escolar, que é sua porta para a sociedade, ou em atividades esportivas em outros centros, mas que se de forma consciente, poderá ter uma formação com a contribuição do trabalho do professor de educação física, proporcionando as mais ricas e variadas tarefas.

Sendo assim, escolhemos os requisitos básicos para o nosso projeto. A princípio havíamos escolhido trabalhar com idosos, porém não tínhamos pessoas nessa faixa etária disponíveis a contribuir com o nosso projeto, então optamos pelo trabalho com a segunda infância, como uma continuidade, já que tivemos a oportunidade de estudar sobre tal grupo etário, além da disponibilidade de crianças para a contribuição do projeto, sendo que a princípio vamos trabalhar com três crianças, dois meninos e uma menina.
Quanto à tarefa, depois de muitas discussões e ainda com muitas dúvidas, optamos por trabalhar com elementos de uma variável do Taekwondo que é o Pommse, mas entendemos também que como uma luta considerada esportiva e com elementos de execução que exigem performance do aluno, reconhecemos a necessidade de adequar a tarefa, trabalhando seus elementos, porém interligando com aquilo que reconhecemos, depois dos estudos, como fundamental da faixa etária: a interligação e refinamento de movimentos fundamentais (estabilizantes, locomotores e manipulativos - Gallahue) desembocando automaticamente em tarefas coordenativas. Sabemos que os elementos do Poomse, assim como alguns elementos de tarefas coordenativas não são novos de forma isolada, justamente porque, assim como afirma Gallahue e Ozmun (2001) os movimentos fundamentais deveriam estar maduros, sendo aprimorados (pois já foram aprendidos) e não especificados (tendência desenvolvimentista), mas podem ser novos em suas possíveis combinações, trazendo as características de atividades recreativas, proporcionando aos alunos novas experiências que passem pelas fases cognitivas, associativas e autônoma (Fitts e Posner, 1967), com uma complexidade maior, em relação aos movimentos isolados, mas proporcionando a liberdade de criação e exploração dos alunos nos mais diversos componentes das tarefas.
Essas aulas serão construídas com base nos estudos e nas experiências já realizadas, atrelados a novos estudos específicos da área para que, diferentemente de outras oportunidades, possamos aplicar tarefas que cumpram nossos objetivos e metas de aprendizagem e desenvolvimento. Ao decorrer dessa semana, aplicaremos e filmaremos o processo de aprendizagem de tais tarefas, que se realizadas com sucesso, serão apresentadas ao vivo no dia do projeto, em forma de transferência em uma atividade dançante, do qual os alunos executarão os movimentos do poomse de forma livre, em um novo contexto, entendendo que mesmo apesar da não exigência de performance, os elementos uma vez incorporados, fazem parte não só da sua programação motora, mas da sua memória corporal.
Ainda temos muito a construir, tarefas, aplicação de aula, transferência e principalmente embasamento teórico, e esperamos acima de tudo, não só fazer um trabalho que toque, mas que realmente nos ensine a ensinar. 

Referências bibliográficas:

BRIKMAN, Lola.
A linguagem do movimento corporal.
2º edição. Editora: Summus - São Paulo, 1989.

GALLAHUE, D.L. & OZMUN, J.C.
Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos.
São Paulo, Editora: Phorte, 2003.

SCHMIDT, Richard A. e WRISBERG, Craig A.
Aprendizagem e Performance Motora.
 2º edição - Editora: Artmed, Porto Alegre, 2001.

TANI, GO
Comportamento Motor – Aprendizagem e desenvolvimento.
 Editora: Guanabara Koogan – Rio de Janeiro, 2005.

Nenhum comentário:

Postar um comentário