domingo, 29 de maio de 2011

Análise da primeira aula: Ginástica Acrobática

A seguir, apresentaremos a formação da nossa primeira aula, considerando todas as questões relevantes para a montagem de um plano de aula:


1ª Aula: Iniciação a Ginástica Acrobática (GACRO)

Tema Central: Iniciação de Ginástica Acrobática;

Objetivos: Analisar no início e no término da aula a capacidade dos alunos de formarem uma pirâmide humana simples (elemento acrobático), verificando se houve ou não evolução para tal formação de acordo com a aula ministrada onde se buscou uma metodologia quantitativa e qualitativa que contribuíssem para o objetivo final;

Desenvolvimento metodológico: Como já explicado na fundamentação teórica, nos valemos da teoria de Criley (1984) apud Mérida e Piccolo (2008) do qual os movimentos ocorrem do simples para o complexo, em exercícios em blocos, do qual a evolução da complexidade ocorre de forma gradativa, respeitando o limite de cada aluno, minimizando possíveis acidentes. Partimos de tarefas que proporcionaram o treino das pegas, trabalho de confiabilidade com o parceiro e com o grupo, noção de peso dos companheiros, fases aéreas e montes e desmontes.

Materiais: A GACRO não faz necessidades de muitos materiais, sendo utilizado apenas tablados e colchões de proteção e steps para realização de um dos exercícios de confiabilidade.

Conteúdo:
Aquecimento = Pega-Pega (livre); posteriormente adicionamos quesitos complexos na mesma tarefa como corrida apenas lateral, depois de costas, etc.
Brincadeira de roda e corrida em roda, mantendo as mãos dadas.

Exercícios

1º - Brincadeira sobre o step.
Tipo: Solução de problemas
Tarefa: Trocar de posição, mantendo a si e os outros colegas sobre o step.
Objetivo: Trabalhar espontaneamente a pega e o equilíbrio.

2º - Exercício de equilíbrio e contrapeso em duplas.
Tipo: tarefas guiadas
Tarefas:
 - ambos de frente com corpo reto;
- ambos de frente com corpo em v;
- ambos de lado, segurando apenas uma das mãos;
- uma de frente em v segurando a outra de costas com corpo reto;
- igual a anterior, porém abas com corpo reto;
- ambos agachados em 90º;
- ambos de costas retos.
Objetivo: Trabalhar diversas formas de pegas, equilíbrio, exploração de movimentos corporais e percepção de peso e contrapeso.



3º - Brincadeira de gancho entre pés e mãos.
Tipo: Solução de problemas – após várias tentativas sem sucesso houve demonstração dos professores.
Tarefa: Enganchar membros inferiores com pegada e se locomover junto ao parceiro.
Objetivo: Trabalhar pega em diferentes partes do corpo (trabalho tátil), formas de se juntar ao parceiro, solucionando o problema de se deslocar, trabalhando a sociabilização, o equilíbrio e a busca de se organizar sincronizadamente na tarefa.


4º - Carrinho de mão
Tipo: Parcialmente guiada
Tarefa: Se deslocar na formação de carrinho de mão
Objetivo: Trabalhar outro tipo de pega, onde deve haver a confiança entre os parceiros sobre quem anda e quem carrega, além de sincronia no caminhar.


5º - Carrinho de mão com término em rolamentos.
Tipo: Parcialmente guiada com solução de problemas
Tarefa: Formar carrinho de mão, se deslocar e sair da posição através de um rolamento para frente.
Objetivo: Todos da tarefa anterior atrelando a solução de problema de como sair através de um rolamento que é um item básico de iniciação a acrobacia.
OBSERVAÇÃO: Nessa tarefa surpreendentemente percebemos que os alunos não sabiam executar o rolamento, sendo que a partir de então trabalhamos através de demonstração e contato direto (tátil) com os alunos a execução do movimento isolado para depois ser associada a 5º tarefa, sendo que apenas um dos alunos conseguiu executar a tarefa completa.

6º - Parada de mão.
Tipo: Parcialmente guiada com solução de problemas – apoio dos professores. Demonstração visual.
Tarefa: executar com ajuda dos professores a parada de mão (bananeira)
Objetivo: Trabalhar a questão do medo e percepção do corpo (apoio das mãos no chão, impulso, equilíbrio, entre outras) para a execução desse elemento básico da GACRO.



7º - Exercícios em tercetos: Cadeirinha
Tipo: Tarefa guiada e demonstrada - realizada com a ajuda dos professores.
Tarefa: atrelar os membros superiores em forma de cadeirinha e transportam em um plano aéreo o colega.
Objetivo: Confiança, pegadas de antebraço, trabalho em altura (para quem é transportado)


8º - Vôo sobre os membros superiores
Tipo: Tarefa guiada com demonstração dos professores.
Tarefa: Dois alunos estendem os membros superiores dando as mãos firmemente. O terceiro salta em decúbito ventral sobre os braços dos colegas.
Objetivo: Propulsão, pegada, confiança, trabalho com vôo.



9º - Salto sobre o colega – Grupos
Tipo: Tarefa parcialmente guiada com solução de problemas
Tarefa: Saltar sobre o corpo ‘encolhido’ do colega
Objetivo: Confiança, propulsão, saltos, abertura de pernas (flexibilidade)

10º - Boneco de mola
Tipo: Parcialmente guiada com apoio total dos professores.
Tarefa: Em círculo todos os alunos estendem os membros superiores apoiando o colega que esta no centro como um boneco de mola, onde com os pés fixos se joga para todos os lados.
Objetivo: Confiança em todo grupo

11º - Biga Romana
Tipo: Solução de problemas
Tarefa: com quatro alunos, dois são apoios em posição quadrúpede, um sobe sobre as costas de ambos apoiando cada pé em um elemento e o outro vai a frente guiando e ajudando que esta em cima.
Objetivo: Iniciação a acrobática – monte e desmonte, confiança, pegada.



12º - Subida em apoio nos membros inferiores.
Tipo: Solução de problemas, parcialmente guiada. Execução em duplas.
Tarefa: um dos integrantes fica apoiado com as costas na parede simulando estar sentado, com membros inferiores em 90º, do qual o colega sobe sobre suas coxas em subida ventral e dorsal com ou sem apoio do step.
Objetivo: pegas, equilíbrio, confiança, monte e desmonte.

 13º - Aviãozinho sobre os pés do colega
Tipo: Solução de problemas. Posteriormente, devido ao insucesso os professores foram à base.
Tarefa: o aluno tem que executar o movimento do avião apoiado com a região abdominal sobre os pés do parceiro que está deitado.
Objetivo: Pegas, equilíbrio, confiança.

14º - Monte sobre o joelho do colega
Tipo: guiada com auxílio e participação dos professores.
Tarefa: Subir sobre os membros inferiores do colega (joelho) de forma lateral e manter-se formando uma figura acrobática.
Objetivo: pegada de pés, equilíbrio, confiança, monte e desmonte, forma acrobática.


15º - Formação de desenho acrobático com pirâmide simples.
Tipo: guiada com solução de problemas na tarefa
Tarefa: Dois alunos seriam base e sobe sobre a base e o quarto faz uma parada de mão
Objetivo: Formação de figura acrobática.

Fundamentação: Iniciação das Ginásticas Acrobáticas e Rítmicas na segunda infância

Após a compreensão das características da faixa etária e de como se aplicar metodologias adequadas na questão geral e de iniciação universal dos esportes para crianças, entendemos através de autores específicos da área de GACRO e GR a prática dessas teorias sendo aplicadas em nossas aulas.

Ginástica Acrobática:

A GACRO é um desporto muito antigo, usado inicialmente como prática de combate pelos militares, entre outras coisas, mas quando empregada ao ambiente escolar promove aos seus praticantes ricas vivências corporais. A ginástica de forma geral tem conceitos técnicos, fazendo-se necessário a perfeição na execução de cada fundamento, mas autores como Stanley (1969), Burton (1977) e Graham (1993) defendem a ginástica para crianças de segunda infância, visando movimentos de uma forma mais livre do que Ginástica tradicional introduzida em um contexto mais competitivo que busca apenas o rendimento. O rolamento na forma tradicional busca que o aluno execute-o para trás ou para frente com uma posição de saída e chegada totalmente padronizada, o produto final no caso seria performance e o processo de aprendizagem se daria no desenvolvimento desta habilidade através da prática, até se chegar a uma certa padronização do movimento, já na Ginástica Educacional o praticante desenvolve o rolamento explorando o corpo de diferentes formas, direções, posições equilibradas e desequilibradas, tentando compreender o uso das mãos e da força no rolamento (Siedentop, Herkowitz e Rink, 1984). Segundo Myriam Nunomura a GACRO desenvolve o domínio do corpo em variadas situações tornando-o mais funcional e eficiente para as demandas do dia a dia da criança. Para Capel (1986) a Ginástica Educacional e de alto rendimento são parecidas no que se referem aos movimentos, ações motoras, por outro lado são muito distintas no que diz respeito a objetivos, métodos de ensino e metas. A Ginástica visando rendimento por enfatizar muito mais o produto final do movimento, é considerada inadequada na educação física elementar e para iniciantes (Wall e Murray, 1990). A Ginástica Educacional proporciona ao professor ajudar seus alunos de uma maneira individual a tornar seu corpo mais funcional o tirando da zona de conforto e propondo desafios que fazem com que a criança aprenda dentro dos seus limites e das suas capacidades.
            Segundo Mérida e Piccolo (2008) a GACRO de forma geral trabalha com a formação de pirâmides humanas, acrobacias e elementos de dança. Em um trabalho de performance tais elementos teriam que ser executados com sincronismo e perfeição, diferentemente do que proporcionamos aos nossos alunos, encaminhando-os para iniciação e exploração de movimentos que desencadeassem nessas formações, porém de forma simples e livre. Tais autoras afirmam que a prática da GACRO traz benefícios como aquisição de noções espaço-temporal, esquematização corporal, controle motor, flexibilidade, coordenação, equilíbrio, força, cooperação, autonomia, prazer e confiança e sociabilização, pois em qualquer contexto são exercícios que ocorrem de forma mista, não havendo exclusão por gênero, idade, peso, entre outras. Para a montagem de pirâmides, existem oficialmente três funções: base, o intermediário e o volante. Para tais formações, os professores devem avaliar, assim como no contexto técnico, o perfil do aluno para que possa ser encaixado na melhor formação, respeitando seus limites. Em um treinamento técnico, na GACRO devem conter alguns elementos obrigatórios como exercícios acrobáticos individuais, coreografias exercícios estáticos e dinâmicos, fases de vôo, entre outras coisas, porém em nossas aulas, buscamos trabalhar com alguns desses elementos, porém não tornando rígido em sincronismo ou coreografia, mas proporcionando de forma aleatória, exercícios de acrobacias e equilíbrio trabalhando em duplas ou grupos, bem como exercícios de vôo do chão para o parceiro e vice-versa. Como objetivo de aula de iniciação a GACRO, gostaríamos que através de uma série de exercícios eles pudessem realizar uma singela pirâmide respeitando suas proporções corporais e confiabilidade, por isso aplicamos constantemente exercícios que proporcionassem ao decorrer da aula confiabilidade no parceiro para a execução de monte e desmonte, do qual aprendiam subir uns nos outros por fases de vôo ou não, além do trabalho de pegas (de punho, palmas, dedos, ombros, antebraços, etc.) do qual se posicionam para facilitar a execução dos montes, manutenção e desmontes de forma segura e eficiente. A segurança também é um fator importante e foi extremamente priorizada respeitando a disposição e o interesse de cada aluno para determinado exercícios, não forçando situações que pudessem acarretar em acidentes. Além do mais utilizamos de tablados e colchões para evitar possíveis impactos de queda no chão. Nós professores estávamos sempre atentos na execução de cada exercício, não permitindo que as crianças quando em situações fora do chão, provocassem movimentos que pudessem desencadear em queda. Mérida e Piccolo (2008) ressaltam que as quedas na GACRO são comuns devido às adaptações de ritmo, contatos com os parceiros e a ação da gravidade nas figuras, sendo que tais quedas não podem ser confundidas com acidentes. Por aplicarmos uma aula inicial, a execução das nossas pirâmides, foi realizada de forma simples, onde os base utilizavam de dois apoios ajoelhados para diminuir a altura para a volante, realizando uma pirâmide de solo, onde o apoio do volante está abaixo da linha da cintura dos bases. Criley (1984) apud Mérida e Piccolo (2008) como um dos grandes nomes da GACRO em evolução pedagógica nas figuras nos instruiu partir do simples para o complexo, onde se inicia com pirâmides estáticas de posições baixas e apoios centrais, assim como realizamos com nossos alunos, para posteriormente avançarmos para as posições mais altas de diferentes apoios. Como forma de iniciação da GACRO, buscamos trabalhar com exercícios simples que envolvessem pegada, equilíbrio e noção de peso do parceiro, ainda no solo. Quanto à aplicação metodológica dos exercícios acrobáticos, cabem aos professores respeitar as etapas, onde cada aluno ou grupo poderá se desenvolver em diferentes níveis, porém é importante fazer a aplicação por etapas, ou seja, em blocos para não ocorrer possíveis acidentes.
            A GR é considerada uma prática desportiva extremamente técnica e com alto nível de complexidade, pois envolve habilidades individuais e grupais em plena sincronia entre tais e também no ritmo musical, envolvendo exercícios complexos presentes em outras ginásticas como acrobacias, saltos, bem como manipulação de vários objetos e também elementos dançantes, tudo regido por uma coreografia marcada e compactada dentro do tempo e da métrica musical. Mas se olharmos a GR de forma livre e menos complexa perceberemos, em uma única modalidade, a junção de muitos exercícios extremamente significantes para o desenvolvimento das crianças de segunda infância. Alonso (2004) apud Caçola (2007) afirma que a GR é privilegiada por possuir habilidades motoras muito próximas da cultura corporal encontradas nos jogos infantis sendo praticados desde a primeira infância.
            Tibeau (1988) apud Caçola (2007) afirma que a GR é composta por três elementos básicos que são os movimentos corporais, manuseio de materiais e acompanhamento musical. Assim como mencionado anteriormente, a forma tradicional de ensino da GR se dá pelo chamado trabalho de mãos livres, onde o processo ocorre de forma analítica, assim como na maioria das iniciações esportivas, mas em estudos de Tibeau (1988), Caçola, Ladewig e Rodacki (2004) e Caçola (2006) afirmam a eficácia do método global, onde desde o início as crianças já trabalham manipulando os objetos junto aos movimentos corporais, não buscando a especificidade técnica de cada movimento, onde de forma tradicional se busca primeiramente a perfeição da execução do movimento corporal, para posteriormente introduzir os elementos manipulativos, verificando que em estudos as ginastas afirmam que o método analítico é mais difícil, pois inicialmente o exercício tem melhor execução, porém com o acrescimento do objeto há necessidade de um recomeço diferentemente do trabalho global que além de ser mais motivador, apesar das dificuldades iniciais posteriormente é melhor executado devido ao grau de interação do indivíduo com o objeto, podendo resultar em um menor tempo de aprendizagem e tornando-se mais eficiente e duradouro, retendo os movimentos. O método global busca como se realiza a aprendizagem, e não os resultados imediatos, sabendo que esse método é bem mais extenso do que o analítico. Alonso (2004) afirma a importância de manipular diversos elementos da ginástica, não esperando o domínio de um objeto para partir para outro. É importante buscar as formas adequadas de trabalhar a GR na iniciação, pois a maioria dos estudos centraliza-se no desempenho.
Gaio (1996) apud Caçola (2007) demonstra a GR de forma mais “popular” considera como princípios básicos: utilização de aparelhos, mas não de forma oficial e tampouco a realização de movimentos obrigatórios, onde podem surgir de forma espontânea e criativa; permitir que as crianças explorem o corpo em movimentos no solo ou no alto (pré-acrobáticos); fazer com que dentre as características da GR as crianças vivam o lúdico de cada exercício; e por fim trabalhar e explorar o ritmo na tarefa. O uso de dicas aplicadas pelo professor, como um feedback de instrução também é extremamente pertinente para a aprendizagem da GR. Pereira (2003) apud Caçola (2007) afirma que na faixa etária de 7 a 10 anos, a GR tem que ser aplicada mantendo suas finalidades, porém em movimentos variados, onde se busca a finalidade de expressão própria nas aulas propostas, onde se obtém melhores resultados de variáveis motoras.

Ginástica Rítmica

            A GR trabalha com materiais como bola, corda, fita, massa e arco, mas nas nossas aulas nos valemos apenas da utilização das bolas e dos arcos. Apesar de uma modalidade feminina (como esporte de alto rendimento) trabalhamos também com meninos, pois no contexto escolar entendemos que não deve ocorrer essa separação, principalmente porque os exercícios promovem benefícios a ambos os gêneros. Apesar da desatenção característica da faixa etária, Caçola e Ladewing (2005) apud Machado e Ferreira Filho (2010) afirmam que a fase ideal para início da GR é com 6 anos onde os movimentos fundamentais já estão maduros, porém nos deparamos com uma situação surpreendente do qual nossos alunos (que possuem mais de seis anos) não tinham a habilidade de realizar movimentos básicos, como o rolamento, o que modificou todo o foco da tarefa.
            A flexibilidade é uma capacidade física, que como o próprio nome já diz, é uma capacidade, ou seja, própria do ser humano (Schimdt e Wrisberg, 2001), mas como sabemos essa capacidade se não treinada diminui ao longo da maturação, onde se tem um grande declínio na fase da puberdade. Portanto, é extremamente importante o trabalho com tal capacidade, principalmente quando nos referimos a GR e também a GACRO, que necessita da flexibilidade como fator contribuinte para a melhor execução dos exercícios, pois muitas vezes necessita-se de amplitude, característica da flexibilidade. Farias Junior e Barros afirmam que:

 [...] a flexibilidade é a resultante da capacidade de elasticidade demonstrada pelos músculos e tecidos conectivos, combinados à mobilidade articular, com isso, a manutenção de uma boa elasticidade do tecido muscular e cognitivo poderá garantir a manutenção de níveis desejados de flexibilidade.
(Farias Junior e Barros, 2007 apud Machado e Ferreira Filho, 2010).

            O treino da flexibilidade deve solicitar que as articulações dos alunos tenham uma amplitude pouco acima do habitual respeitando seus limites. Além do trabalho dessa capacidade física, a GR proporciona o envolvimento com outros fatores como espaço, tempo, ritmo, objeto e pessoas. Segundo Machado e Ferreira Filho (2010) a GR visa o desenvolvimento neuromuscular onde as crianças desenvolvem a chamada “mentalidade rítmica”, onde atrela a criação de um ritmo musical em coordenação com o movimento e relação com o espaço. Domingues e Santos (2006) afirmam que o uso dos aparelhos, tem grande importância para o desenvolvimento psicomotor, como lateralidade, percepção espacial, temporal, dinamismo, criatividade e expressão corporal, segurança e confiabilidade. Assim como afirmam os autores, trabalhamos com exercícios que atrelassem saltos, giros, equilíbrios, lançamentos e recuperação de objetos entre outras coisas concernentes a GR, trabalhados no método global. Pesquisa realizada por Machado e Ferreira Filho (2010) afirma que ao longo de dois meses (tempo da pesquisa) onde foi aplicada iniciação de GR em uma escola, obteve-se melhora no desenvolvimento da coordenação motora, lateralidade, percepção corporal, equilíbrio e estabilização além da melhoria do manuseio e da coordenação de movimentos juntos aos aparelhos, onde nenhum aluno tinha vivência pré com a GR, mas aprenderam e se desenvolveram tão significativamente que alguns alunos se interessaram em seguir a prática ao término da pesquisa (informações textuais e em gráficos contidos no artigo original).
            Gaio (2007) afirma que a formação da consciência corporal que pode vir da prática de GR promove a formação da criança e suas possibilidades de expressão perante o mundo, assim como na constituição de percepção espacial faz com que aprenda se localizar no espaço bem como perceber os objetos e as outras pessoas no espaço. A noção temporal faz com que os alunos se situem no tempo de ação individual e coletiva de acordo com o ambiente.
Segundo o artigo de Colaço, Silva e Fernandes (2004) a GR favorece inúmeras experiências, tanto na formação motora (equilíbrio, coordenação, ritmo, agilidade), quanto na formação perceptiva motora (espaço, tempo, corpo):
Formação Motora:
·         Equilíbrio: O equilíbrio está presente em tarefas dinâmicas como os giros, saltos e em tarefas estáticas como no trabalho de manipulação de objetos e equilibração do aparelho, sendo que utilizamos de ambas as formas em nossas aulas;
·         Coordenação: Na geral estão os movimentos de saltos, corridas, flexibilidade, entre outros. Já na coordenação óculo visual e óculo manual os exercícios que atrelam movimentos corporais com atenção nos aparelhos em atividades simultâneas;
·         Ritmo: No trabalho com a música ou contagens com ou sem aparelhos;
·         Agilidade: Tempo de reação e agilidade para cumprir as problemáticas dos exercícios.
Formação Perceptiva motora:
·         Espaço: Consciência espacial para a realização de cada exercício, relacionando-se com o espaço do seu corpo e objeto no espaço;
·         Tempo: Lançamentos, trocas, rolamentos, elementos com manejo de aparelhos individual e em conjunto;
·         Próprio corpo: Consciência corporal, bilateralidade, lateralidade, entre outras. (Pires, 2002).

Fundamentação: Metodologias de Ensino

Ao acordarmos que trabalharíamos com a GACRO e com a GR na segunda infância, sabíamos da importância em aplicar uma metodologia de ensino coerente com os assuntos mencionados acima, respeitando o desenvolvimento motor de cada criança em suas faixas etárias atreladas ao trabalho de iniciação esportiva. Por isso, nos valemos da aplicação da Metodologia Universal, proposta por Greco e Benda (1998) do qual é composta por nove fases. A Fase que nos cabe neste trabalho é a chamada Fase Universal que abrange o período cronológico dos 6 aos 12 anos (correspondentes a segunda infância). De forma geral, Greco e Benda (1998) apud Schruber e Afonso, atrelam as fases ao nível de rendimento com a idade e frequência de treinamento. Na fase Universal, eles afirmam que a frequência de atividades deve ocorrer no máximo três vezes por semana, onde tais não irão prejudicar outros interesses da criança e também executando grandes quantidades e aumento de complexidade nas mais diversas atividades. Outra orientação é que os jogos dessa fase sejam de iniciação inclusive em jogos pré-desportivos do qual os gestos correspondentes ao esporte não sejam técnicos sendo aplicados em sua forma global, tendo sentido recreativo, mas que contém implicitamente valor educativo, que serão utilizados posteriormente (de acordo com o desenvolvimento) como uma transferência positiva ao esporte em sua forma mais específica, sendo consideradas para Schruber e Afonso como “[...] bases para uma ‘ação inteligente’”.
A aplicação da iniciação esportiva na escola também possui o intuito de promover a participação, integração e sociabilização dos alunos, contribuindo na sua formação. A ideia central não pode ser restringida ao treinamento, mas sim enfatizado como educação, já que um dos focos da Metodologia de Iniciação Universal ao Esporte é tornar o aluno capaz de compreender e aprender a modalidade esportiva, discernindo as situações problemas agindo de forma autônoma, porém na ludicidade concernente a sua fase de desenvolvimento.
Dentro do conceito da Iniciação Esportiva Universal ao esporte, muitos autores como Greco e Benda (1998), Bayer (1986), Graça e Oliveira (1995), Roth (2002), entre outros levantam questões importantes a serem verificadas no processo de aprendizagem: análise dos tipos de aprendizagem e transferência que se relaciona ao desenvolvimento da criatividade nas diversas faixas etárias, onde pesquisas no âmbito da psicologia cognitiva apontam que o desenvolvimento da criatividade pode ser estimulado quando é proposto ao aluno aquisição de experiências, sendo que o aprendizado é implícito, assim como realizamos em nossas aulas, propondo diversas tarefas recreativas do qual a aprendizagem das tarefas rítmicas e dos desenhos acrobáticos estavam implícitos; e a participação e intervenção do aluno, do qual buscamos otimizar suas vivências aceitando a participação e as soluções trazidas pelos alunos em situações problemas, onde no conceito tradicional, de alto rendimento, não ocorre a participação dos alunos, pois o fundamento é a repetição das atividades em um ciclo permanente em busca da performance.
Greco (1998) apud Mendes, Matos e Pinho (2010) afirma que o aprendizado, principalmente das práticas esportivas está ligado a qualquer organização lúdica esportiva que circundam três componentes que são físicos, psíquicos e sociais sempre atrelados a objetivos, metodologias e resultados, principalmente em ambiente escolar. No que se refere à metodologia, sabemos que no decorrer da história muitas metodologias tiveram seu espaço, sendo que atualmente Oliveira (1997) nos apresenta metodologias que com as suas diferenças, tem o objetivo da formação integral do indivíduo no processo. Elas são: metodologia do ensino aberta; metodologia crítico-superadora; metodologia crítico-emancipadora e metodologia construtivista. Apesar de não atuantes na área, os conceitos teóricos do qual nos desperta maior atenção, compreendendo que possuem em suas características valores importantes para a formação de nossos alunos, são as metodologias de ensino aberta e construtivista. A metodologia do Ensino Aberto, de Reiner Hildebrandt & Ralf Laging (Alemanha) e do grupo de trabalho pedagógico (Brasil), tem como objetivo de estudo o mundo dos movimentos e suas implicações sociais, podendo ser trabalhada na seriação escolar atual, preocupando-se em como trabalhar e tornar significativo os conteúdos aos participantes. Tem como conteúdo básico o movimento relacionando-se com os outros e com as coisas e tem como enfoque metodológico desenvolver as atividades através de ações problematizadoras, temas geradores, aumentando o nível de complexidade, interação participativa do aluno e do professor. O trabalho pedagógico defende uma ligação do aprender escolar com a vida de movimentos dos alunos e também não olhar para o esporte apenas como rendimento. Considera as necessidades e interesses dos alunos, a relação entre movimento, percepção e realização possibilitando aos alunos participação em todas as etapas do processo ensino-aprendizagem. Semelhante, a metodologia Construtivista, de João Batista Freire, tem como objetivo de estudo a motricidade humana entendida como um conjunto de habilidades que permitem ao homem produzir conhecimento e se expressar e tem como proposta ensinar as pessoas a saberem e terem consciência de que são corpo.  Também pode ser trabalhado na seriação escolar atual e trabalha principalmente com a cultura dos próprios participantes, tornando o conhecimento significativo, trabalhando com a educação dos sentidos e da motricidade e compreende como enfoque metodológico o conflito, a partir de que o sujeito cria conflitos sobre o que se sabe e o que precisa ser aprendido, surgindo assim à consciência do fazer, sendo que professor e aluno contribuem para o processo.
Mas apesar de nos valermos de questões pertinentes dessas metodologias, encontramos na abordagem do Greco (1998), fatores extremamente relevantes as nossas tarefas, do qual afirma que o conceito das táticas desportivas tem que ser visto no âmbito de entender à “razão de fazer” junto ao “como fazer” não se restringindo apenas ao ultimo em formação de exercícios analíticos. O princípio analítico sintético busca a divisão da tática, técnica e treino, buscando em exercícios fora do contexto de jogo para que os detalhes de cada fundamento sejam constituídos, onde somente depois será transferido ao ambiente de jogo. Diferentemente o princípio global-funcional, torna-se mais consistente, no nosso ponto de vista, onde além de terem mais prazer em jogar, já que isso ocorre de imediato, eles aprendem a jogar e a fazer os exercícios através da prática em tais, onde os movimentos são totais e não divididos, utilizando da criatividade e pensamento tático dos alunos para ocorrer à solução de problemas. Alguns autores enumeram os benefícios do trabalho com iniciação esportiva na escola, quando aplicado de forma adequada, desenvolvendo competências físicas como: resistência à potência (Weineck, 1999), desenvolvimento de habilidades motoras simples para complexas e manejo de instrumentos (Greco, 1998); Competências sociais: dividir os materiais como, por exemplo, a bola (Garcia, 2001) e Competências psíquicas: Compreensão entre a tensão e o relaxamento e o desenvolvimento da concentração e da inteligência (Vygotsky, 1999), auto percepção sinestésica para as ações táticas complexas (Greco, 1998).

Início da Fundamentação teórica: Entendo os porques...

Como mencionado na última postagem, estamos em estudos constantes para embasar e fundamentar nossas aulas. O processo ainda não chegou ao fim, mas a fundamentação já havia sido estudada previamente a prática, porém somente agora organizamos nossos pensamentos de acordo com os autores a fim de justificar detalhadamente nosso processo.
Na última postagem, apresentamos nossos alunos e suas respectivas idades, sendo anunciado que nossa escolha havia sido a segunda infância. Então agora apresentaremos algumas características gerais do grupo etário, bem como informações pertinentes para que pudéssemos construir aulas adequadas.

Nós consideramos a segunda infância como uma fase rica, do qual os alunos estão passando por muitas mudanças não apenas no que se refere à área motora, mas a sua totalidade, em fase de maturação total sendo que nessas condições os professores, aqui no caso de Educação Física, tem uma grande responsabilidade como contribuinte desse processo, tendo que buscar maneiras adequadas no processo ensino-aprendizagem para que possa ser um colaborador benéfico nesse processo de desenvolvimento.
Apesar das diversas classificações acerca das faixas etárias, dependendo da área de estudo, existem algumas que consideramos para classificar aquilo que nos corresponde ao período de segunda infância. Gallahue e Ozmun (2003) se equivale da idade cronológica em junção a maturação dos movimentos fundamentais (estabilizantes, locomotores e manipulativos), considerando a segunda infância como Fase Motora Especializada que se subdivide em Estágio Transitório (7 aos 10 anos) e Estágio de Aplicação (11 aos 13 anos), que ultrapassa através da cronologia, sendo que a partir dos 12 anos os indivíduos já são considerados adolescentes. Para Edison de Jesus Manoel (2000), existe uma sequência para o desenvolvimento motor, porém não de forma tão engessada e padronizada, sendo as variáveis mais significativas. Ele considera no mínimo três aspectos: uma ordem de eventos no eixo temporal do ciclo de vida; interdependência entre os eventos; e o fato de que novas etapas envolvem novas propriedades. Ele afirma que a sequência do Gallahue e Ozmun, assim como de Seefeldt (1980) não englobam tal exploração, considerando então que desenvolvimento implica em interações de padrões comportamentais, bem como um processo de desenvolvimento hierárquico, sendo que existem várias formas de hierarquia, mas considerando sempre como ocorre a evolução de complexidade ao longo do tempo. Sua construção não determina necessariamente a idade cronológica, considerando a cronologia através das probabilidades, então considerando que a segunda infância é classificada como a fase dos 7 aos 10/11 anos (Kephart, Gallahue e Ozmun e Piaget) se encontraria em sua pirâmide ‘inacabada’ (já que o desenvolvimento ocorre por toda a vida) como a Fase de Combinação de Movimentos Fundamentais ou como Acoplamento entre intenção e padrão de movimentos. Já na concepção piagetiana do desenvolvimento cognitivo existem quatro fases, e a considerada segunda infância (7 aos 10/11 anos) é denominada Estágio das Operações Concretas (6 aos 10 anos) do qual existe um pensamento lógico e essa razão passa a determinar grande partes das atitudes das crianças.
Segundo dados do IBGE, a segunda infância se equivale hoje a aproximadamente 11% da população geral, sendo que o índice de escolarização do grupo etário de 7 a 14 anos é bem menor na região Nordeste (89,4%) comparada à região Sudeste (95,5%), devido a diversos fatores (clima, nutrição, cultura, etc.), mas principalmente a questões econômicas que são visíveis também nos dados onde o trabalho infantil também é bem elevado no Nordeste (3,2% meninos e 1,1% meninas) comparado ao do Sudeste (0,3% meninos e 0,2% meninas). Esses dados, juntamente com outras interferências, são significativos para a aprendizagem e desenvolvimento dessas crianças, já que tudo ocorre como uma grande rede sistêmica. Sendo assim, sabemos que considerando especificamente as questões concernentes as zonas urbanas, como São Paulo, que é nossa área de atuação, percebemos que tudo influencia no todo. Atualmente é normal muitas mães trabalharem fora, devido às necessidades econômicas e com isso os pais, de forma geral, tendem há ficar menos tempo com os filhos, repassando para as escolas, seja quais forem, à responsabilidade de educar e formar aquelas crianças, onde ocorre um débito muito grande, pois a maioria das escolas não tem condições de atingir tais exigências. Com isso, também percebemos corriqueiramente que com melhores situações financeiras os pais tendem a ocupar seus filhos em diversas escolinhas que proporcionem os mais variados exercícios físicos (natação, judô, balé, entre outros) e muitas vezes essas escolinhas por não saberem como agir adequadamente em seus exercícios prejudicam veementemente o desenvolvimento motor dessas crianças.
Para Gallahue e Ozmun (2001) essa faixa etária caracteriza-se como período do qual deve ocorrer à junção dos elementos fundamentais, assim como o refinamento de tais, porém ele e a tendência desenvolvimentista (TANI et al.,1988; MANOEL,1989 apud Gimenez e Ugrinowitsch, 2002) alertam que o ingresso das crianças de segunda infância em modalidades esportivas específicas tendem a privá-las de diversas experiências motoras que deveriam ser aplicadas em tarefas variadas propiciando o máximo de vivências com diversas combinações, aplicando níveis de complexidade dificultando a tarefa, porém dentro da integração dos movimentos fundamentais para somente depois envolvê-los em tarefas específicas. Essas questões trouxeram grandes dilemas para a construção de tarefa do nosso projeto, pois compreendendo e respeitando a abordagem desenvolvimentista, entendemos que não era cabido ensinar tarefas motoras que pudessem especificá-los de alguma forma, mas também entendemos que nesse contexto é extremamente difícil trabalhar com o novo.
Porém existe uma ressalva a se fazer nesse assunto, pois entendemos que a iniciação ao esporte não é ruim para as crianças, mas deve existir a atenção dos professores de educação Física para respeitar sempre o desenvolvimento das crianças não as limitando, mas contribuindo de forma eficaz para o seu desenvolvimento, assim como afirma Gimenez e Ugrinowitsch:

Essencialmente, a prática desportiva não pode ser considerada maléfica para uma criança de Segunda Infância. O esporte faz parte do patrimônio cultural e representa um meio singular de integração do ser humano na vida em sociedade. Entretanto, as demandas e características da faixa etária não podem ser negligenciadas. Tal fato implica a necessidade de que o profissional de educação física conheça mais profundamente as etapas do desenvolvimento infantil. (2002, p.59)

Sendo assim, buscamos uma tarefa que pudesse ser trabalhada respeitando todas essas características da faixa etária, atrelando os elementos fundamentais de forma a refiná-los em exercícios diferenciados que talvez em sua junção, pudesse proporcionar novidade e complexidade, e encontramos tais características nas Ginásticas Acrobáticas e Rítmicas, sabendo que são consideradas esporte de alto rendimento, mas que tem sua importância ao contexto escolar e ao desenvolvimento da criança se trabalhado de forma coerente, assim como exploraremos a seguir.

domingo, 22 de maio de 2011

A prática: O melhor laboratório da Educação Física

Acabamos de encerrar nossas aulas práticas e podemos afirmar definitivamente que apesar de esperado, devido às experiências prévias, dar aulas, principalmente para crianças, é sempre uma grande surpresa.
Hoje, não gostaríamos ainda de fazer uma análise técnica das aulas, mas gostaríamos de descrever um pouco as experiências vivenciadas, aquilo que nos despertou atenção positivamente, mas também aquilo que nos surpreendeu negativamente. Gostaríamos de apresentar nossos alunos e compartilhar parcialmente uma experiência tão motivadora, porém desafiadora.

Como mencionado na última postagem, vivíamos um dilema acerca da nossa tarefa inicial (Poomse) que compreendíamos ser falha e passamos a estudar as Ginásticas (rítmica e acrobática) como forma de um aprendizado mais coeso para vivências motoras e exploração corporal, requisitos necessários para o nosso objetivo. Trocamos experiências e leituras entre nós, conversamos com a professora Luciene e com o professor Alessandro, com o objetivo de reconhecermos se essa coerência realmente estava presente e, para nossa satisfação, não houve retaliações em relação às tarefas escolhidas, então o que restava era  a prática. 
Partimos então para as escolhas e adaptações das tarefas. Já estávamos fazendo leituras sobre o assunto e estudando práticas adequadas a faixa etária (2ª infância), então partimos para os estudos de tarefas que atrelassem a faixa etária mais os elementos das Ginásticas Acrobáticas e Rítmicas. As tarefas de GACRO (Ginástica Acrobática) exigiram maior atenção, pois além de serem desconhecidas por parte do nosso grupo, tínhamos a noção que as exigências de execução eram maiores, já que podem acarretar riscos aos alunos, se mal executadas.  Então, para a montagem dessa aula, consultamos alguns artigos específicos de GACRO como, por exemplo, o artigo Redescobrindo a Ginástica Acrobática (2008) de Fernanda Merida, Vilma Piccolo e Marcos Merida, que nos ilustrou de forma objetiva os requisitos básicos e fundamentais para a montagem das tarefas. Também utilizamos outros artigos, como o já citado "Em defesa da ginástica acrobática na escola" de Lourenço França, que contribuiu com a noção de figuras e formações de desenhos acrobáticos, além de informações importantes, sem contar com o, também já citado, livro Manual teórico-prático de educação física infantil, que é extremamente rico nas informações sobre os pequenos alunos, além de uma extensa diversidade de tarefas que nos proporcionou executar aulas criativas, diversificadas, mas acima de tudo adequadas.
A montagem das aulas de GR (Ginástica Rítmica) também contou com a participação do mesmo livro, além de vários artigos que estimulam e explicam pedagogicamente as atribuições e importância da GR em iniciação escolar, além de trazer explanação sobre elementos básicos da rítmica que foram fundamentais para as criações das tarefas.
Nesse processo também foram observados os processos metodológicos e pedagógicos de ambas as modalidades, como aprendizagem global e analítica na GR (Caçola, 2007) e construção por etapas, da base para a complexidade (França, s/d) na GACRO. Também construímos critérios de análise de aprendizagem, em check list, do qual analisamos durante as aulas critérios pré-estabelecidos que serão complementados com as observações dos vídeos, para construirmos nossa análise de aprendizagem.

Anteriormente a prática já imaginávamos que de certa forma, o objetivo das nossas aulas era proporcionar uma metodologia de iniciação ao esporte (Greco, 1998) que proporcionasse uma aprendizagem provavelmente em longo prazo, mas que priorizasse (principalmente na 2ª infância) em experiências motoras, contribuindo assim para a formação integral do indivíduo, e isso foi constatado, principalmente pelas observações feitas ao longo das aulas, do qual observamos uma dificuldade imensa dos alunos realizarem elementos básicos, que já deveriam estar maduros, como por exemplo, o rolamento (cambalhota). Essas surpresas que surgiram na prática, nos fez perceber de forma mais sólida que nem sempre conseguimos seguir os manuais e os planejamentos previamente construídos, mas principalmente nos fez comprovar que como afirmam muitos manuais, as crianças de hoje em dia, pouco exploram seu corpo,  o que acarreta em diversos problemas (como será discutido nas próximas postagens), mas principalmente limitando sua consciência corporal o que limita automaticamente a iniciativa de vivenciarem através do corpo a ludicidade que a sua idade proporciona.

Fotos dos nossos alunos:

Isabella, 11 anos.

Débora, 7 anos.

Gabriel, 9 anos.

Matheus, 9 anos.

Apesar da exaustão e das dificuldades, acreditamos que as aulas aplicadas puderam proporcionar aos alunos a proposta principal de trabalho e trouxeram a nós, meros iniciantes nesse universo da educação física, a alegria de após cada término de aula, ouvir sorrisos ofegantes e um "Já acabou? ahn... queria mais.", ilustrando positivamente que as aulas não tradicionais também são capazes de proporcionar aprendizagem, desenvolvimento, ludicidade e sociabilização, fatores importantes na formação das crianças.
A partir de agora, temos o objetivo de organizar as literaturas que constituem nosso projeto, atrelando a estudos anteriores e a todo material colhido das aulas práticas para organizarmos todos os detalhes possíveis que seguem desde o plano de aula com todos os dados analisados e pré-estipulados para a aplicação e análise das aulas, até fatores extra aula, porém que constituem o universo presente das crianças da segunda infância.
Nossas aulas e estudos serão postados de acordo com as conclusões e análises que faremos daqui em diante, além da preparação do possível encontro que teremos com os alunos, para proporcionarmos em outro contexto, a possibilidade de explorar novamente movimentos já trabalhados e também novas composições, já que as crianças são fontes inesgotáveis de energia e criatividade.

Referências bibligráficas:

Livro:

RODRIGUES, Maria
Manual teórico-prático de educação física infantil
7ª edição. Editora: Ícone, São Paulo, 1997.

Artigos:

CAÇOLA, Priscila
A iniciação esportiva na ginástica rítmica.
Revista Brasileira de Educação Física, Esporte, Lazer e Dança, v. 2, n. 1, p. 9-15, mar. 2007.

COLLAÇO, Julia T. D. / SILVA, Eduardo C. da / FERNANDES, Luciano L.
Ginástica Rítmica: Modalidade desenvolvida pela escola infantil de esportes.
Universidade Federal de Santa Catarina.
Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária - Belo Horizonte – Setembro de 2004.

FRANÇA, Lourenço
Em defesa da ginástica acrobática na escola.

MACHADO, Viviam C. e FILHO, Raul F. A.
Inclusão de movimentos básicos da ginástica rítmica nas aulas de Educação Física escolar
Efdeportes - Revista Digital, Buenos Aires, Ano 14, nº 141, 2010.

MÉRIDA, Fernanda e PICCOLO, Vilma Leni N.
Ginástica Acrobática: Um estudo sobre a prática pedagógica
Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 6, ed. especial, p. 367-376, jul. 2008.

MERIDA, Fernanda/ MERIDA, Marcos e PICOLLO, Vilma Leni N.
Redescobrindo a Ginástica Acrobática
Movimento, Porto Alegre, v. 14, n. 02, p. 155-180, maio/agosto de 2008.

SCHRUBER, Juliano Rodrigues e AFONSO, Carlos Alberto.
 A iniciação esportiva universal nas aulas de educação física.

TOLEDO, Eliana de.
Propostas de ações motoras em ginástica rítmica desportiva
Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 1995.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas....

Como mencionado na última postagem, tínhamos o objetivo de no início dessa semana montar as tarefas da aula de aprendizagem, além de trabalhar o embasamento teórico aprofundando em pontos específicos. Paralelamente conversamos com os professores, no caso com a Maria Rita e com o Gimenez, além de já termos conversando com o professor Alessandro sobre nossa tarefa. De forma geral, obtivemos uma receptividade aceitável, porém alguns questionamentos nos fizeram perceber que nossa tarefa era muito pobre no sentido de aprendizagem, pois o Poomse, apesar de ser um belo elemento com combinações de movimentos, não trabalha essencialmente com o que precisamos que são os elementos fundamentais, sendo que teríamos que construir outras tarefas para abrigar esses elementos  junto aos do pommse para justificar nosso embasamento teórico, não tendo uma finalidade específica de atividade, além de grande probabilidade de erro, pois a aula nesse caso não seria aplicada com finalidade de se obter um novo aprendizado.
Nesse processo, também fizemos leituras sobre a iniciação esportiva para a 2ª infância. Exemplificações e textos que citam o autor Juan Pablo Greco e outros com Rodolfo Benda (1998) nos abriram os olhos pra a questão da inserção da iniciação esportiva universal nas aulas de educação física, proporcionando entendimento que é possível que ela ocorra, desde que em métodos adequados e coerentes com as faixas etárias e com as  prévias experiências motoras dos alunos.
Partindo desse ponto, começamos a pesquisar possibilidades em diversas modalidades, de forma que encontrássemos alguma que trabalhasse na sua essência com atividades de refinamento e junção dos elementos fundamentais, para que a partir dessas experiências os alunos pudessem atingir o objetivo "final" de sua aprendizagem. Nesse meio tempo surgiram coisas inusitadas, como o escoteirismo, que veio através de indicação, do qual fomos procurar conhecer como trabalhavam, mas após a leitura do manual dos escoteiros (site oficial escoteirismo no Brasil - publicação em PDF) e de conversas com profissionais de educação física que trabalham no Escoteirismo Brasil, surgiram  percepções que a formação inicial com crianças de 7 a 10 anos (chamados Lobinhos no Escoteirismo) tinham um foco quase que absoluto na formação moral e social, com poucas atividades que proporcionassem a aprendizagem e o desenvolvimento motor. Voltamos então a práticas tradicionais, sendo levantadas possibilidades como: peteca, arremesso de discos e até mesmo skate, do qual refletimos sobre tal, e até encontramos elementos fundamentais como manipulação do objeto skate  (controle sobre tal), estabilizante (equilíbrio sobre o objeto) e locomotores (deslocamento no espaço com o objeto), entretanto, apesar de tais características, entendemos após rever as leituras sobre tarefas para crianças, que essa aprendizagem limitaria o processo em prol da execução do equilíbrio, que é extremamente importante, porém deixando de lado a oportunidade de diversos outros trabalhos, já que por falta de experiência de nossa parte, não saberíamos aplicar a aula com skate explorando outros fundamentos e isso não se encaixa no foco do nosso interesse.
Dentre tantas pesquisas, conversas e discussões surgiram novas possibilidades. Em desfecho ao assunto escoteirismo, surgiu  leituras sobre Ginástica Acrobática (Piccolo, 2008 ; França - s/d) que desembocou em leituras sobre Ginástica Rítmica (Toledo, 1995; Machado e Filho, 2010; Caçola, 2007). O livro Manual teórico-prático de Educação Física Infantil de Maria Rodrigues (1997), também nos mostrou diversas possibilidades que agreguem a iniciação esportiva na educação infantil, junto a atividades lúdicas e recreativas em uma vasta gama de tarefas que proporcionem o foco de aprendizagem de elementos iniciais tanto na Ginástica Rítmica (GR) quanto na Acrobática (GA) de forma valiosa para o processo de desenvolvimento da criança.
Essa nova ideia ainda está em processo de amadurecimento porque precisamos de mais leituras sobre o assunto, essencialmente que corroboram com o que já foi lido e outros que questionem tais práticas, para que possamos defender de forma coerente nossa aula. Por isso, pretendemos conversar hoje com a professora Luciene e se possível com outros professores, para enxergarmos questionamentos até então despercebidos. Sabemos que o tempo é escasso e tais dúvidas recorrentes poderão prejudicar a execução do nosso projeto, porém também entendemos que tais dúvidas surgem da preocupação de um projeto bem realizado que abrace o interesse dos nossos alunos, proporcionando uma experiência marcante.
Após a resolução sobre a indecisão da pertinência do trabalho de Ginástica (rítmica e talvez acrobática) que será discutido hoje impreterivelmente, aplicaremos as aulas. Já temos nossos voluntários, o espaço que será executado as aulas e boa parte das tarefas se prosseguir nesse rumo. Logicamente necessitamos de mais leituras que serão realizadas ao longo do processo de filmagem que devem durar alguns dias. Além da consciência de que a teoria envolve e responde muitas questões, mas que somente na prática perceberemos nossas falhas e sucessos.
Definitivamente estamos ansiosos e preocupados com o trabalho, mas acreditamos que seja possível a realização de um bom projeto, pois mesmo com inúmeras falhas (que provavelmente terá), temos buscado ao máximo a elaboração de algo que realmente valha a pena, e que seja significativo para nós (alunos e professores), para nossos professores, mas principalmente para nossos alunos, marcando sua consciência corporal para sempre.

Referência Bibliográficas

Livro:

RODRIGUES, Maria
Manual teórico-prático de educação física infantil
7ª edição. Editora: Ícone, São Paulo, 1997.

Artigos:

CAÇOLA, Priscila
A iniciação esportiva na ginástica rítmica.
Revista Brasileira de Educação Física, Esporte, Lazer e Dança, v. 2, n. 1, p. 9-15, mar. 2007. 

FRANÇA, Lourenço
Em defesa da ginástica acrobática na escola.

GIMENEZ, Roberto / UGRINOWITSCH, Herbert.
Iniciação esportiva para crianças de segunda infância.
ConSCIENTIAE Saúde. Revista científica UNINOVE, São Paulo, V.1: 53-60.

GRECO, Pablo Juan
Iniciación Deportiva Universal: "Escola da Bola"

MACHADO, Viviam C. e FILHO, Raul F. A.
Inclusão de movimentos básicos da ginástica rítmica nas aulas de Educação Física escolar
Efdeportes - Revista Digital, Buenos Aires, Ano 14, nº 141, 2010.

MEMMERT, Daniel
Escola da Bola: Jogos de rede e raquetes
Departamento de esportes. Abril, 2003.

MÉRIDA, Fernanda e PICCOLO, Vilma Leni N.
Ginástica Acrobática: Um estudo sobre a prática pedagógica
Conexões: revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, Campinas, v. 6, ed. especial, p. 367-376, jul. 2008.

SCHRUBER, Juliano Rodrigues e AFONSO, Carlos Alberto
 A iniciação esportiva universal nas aulas de educação física.

TOLEDO, Eliana de.
Propostas de ações motoras em ginástica rítmica desportiva
Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 1995.

Site:
www.escoteiros.org.br

domingo, 15 de maio de 2011

Aprendendo a ensinar ... O início do projeto - 3º Semestre/ Educação Física

A educação física tem como um dos seus principais objetivos, proporcionar o ensino das mais variadas atividades que envolvam movimento, sejam elas simplesmente recreativas ou esportivas, nas escolas ou nos centros particulares, como trabalho e como lazer, como representação de arte, mas principalmente como contribuinte da formação e do desenvolvimento total do indivíduo. 
Connolly (1986) afirma que “... a aquisição de habilidades estaria condicionada por uma intricada rede de interações que vai do gene aos ambientes físico e social.” (citado por TANI, GO. p. 37, 2005)

Portanto, é a partir desse contexto que, como professores de Educação Física, temos o objetivo para esse semestre construir um projeto que abrigue conceitos de aprendizagem e desenvolvimento motor, atrelados a dança e ao ritmo, instrumentos significativos para a totalidade dos indivíduos.
Ao decorrer do semestre, temos aprendido os mais diversos conceitos em todo o módulo, mas como uma linha de trabalho, nosso grupo tem como objetivo a clara compreensão dos tópicos que levanta, interligando-os em todos os conteúdos. Partindo de um trabalho de dança, do qual apontávamos a importância da interioridade de  "Saber que se é e sentir-se como se é" (Brikman, p.16,1989), seguimos para um dos primeiros entendimentos do ritmo, que de maneira equivocada aplicamos a interioridade em um ritmo de metrônomo, mas que posteriormente nos levou a compreensão e esclarecimento da existência de dois ritmos importantes: o métrico e o espontâneo. Atrelados a isso, dentro da segunda infância (7 a 10/11 anos - Piaget, 1982/ Gallahue e Ozmun, 2003 e Kephart) aplicamos a nossa primeira tarefa (corda) com relevância em conceitos de aprendizagem motora que foi utilizado sequencialmente junto com tudo que havíamos feito, para o entendimento da importância do desenvolvimento da consciência corporal nesses indivíduos. As criações de composições coreográficas e as variadas tarefas rítmicas  proporcionaram bagagens para a compreensão de como criar, como entender possíveis situações fora do nosso contexto e como interligar tipos de tarefas e habilidades a serem desenvolvidas e em como desenvolvê-las, utilizadas na criação de tarefas rítmicas que objetivava o trabalho coordenativo, que apesar de não muito feliz, nos trouxe a experiência e o entendimento da importância do trabalho da coordenação motora, essencialmente na segunda infância, do qual exploramos as mais diversas variáveis da faixa etária, conhecendo suas características, mas principalmente entendendo a importância da influência da sociedade hoje, no desenvolvimento de um grupo que está adentrando no âmbito escolar, que é sua porta para a sociedade, ou em atividades esportivas em outros centros, mas que se de forma consciente, poderá ter uma formação com a contribuição do trabalho do professor de educação física, proporcionando as mais ricas e variadas tarefas.

Sendo assim, escolhemos os requisitos básicos para o nosso projeto. A princípio havíamos escolhido trabalhar com idosos, porém não tínhamos pessoas nessa faixa etária disponíveis a contribuir com o nosso projeto, então optamos pelo trabalho com a segunda infância, como uma continuidade, já que tivemos a oportunidade de estudar sobre tal grupo etário, além da disponibilidade de crianças para a contribuição do projeto, sendo que a princípio vamos trabalhar com três crianças, dois meninos e uma menina.
Quanto à tarefa, depois de muitas discussões e ainda com muitas dúvidas, optamos por trabalhar com elementos de uma variável do Taekwondo que é o Pommse, mas entendemos também que como uma luta considerada esportiva e com elementos de execução que exigem performance do aluno, reconhecemos a necessidade de adequar a tarefa, trabalhando seus elementos, porém interligando com aquilo que reconhecemos, depois dos estudos, como fundamental da faixa etária: a interligação e refinamento de movimentos fundamentais (estabilizantes, locomotores e manipulativos - Gallahue) desembocando automaticamente em tarefas coordenativas. Sabemos que os elementos do Poomse, assim como alguns elementos de tarefas coordenativas não são novos de forma isolada, justamente porque, assim como afirma Gallahue e Ozmun (2001) os movimentos fundamentais deveriam estar maduros, sendo aprimorados (pois já foram aprendidos) e não especificados (tendência desenvolvimentista), mas podem ser novos em suas possíveis combinações, trazendo as características de atividades recreativas, proporcionando aos alunos novas experiências que passem pelas fases cognitivas, associativas e autônoma (Fitts e Posner, 1967), com uma complexidade maior, em relação aos movimentos isolados, mas proporcionando a liberdade de criação e exploração dos alunos nos mais diversos componentes das tarefas.
Essas aulas serão construídas com base nos estudos e nas experiências já realizadas, atrelados a novos estudos específicos da área para que, diferentemente de outras oportunidades, possamos aplicar tarefas que cumpram nossos objetivos e metas de aprendizagem e desenvolvimento. Ao decorrer dessa semana, aplicaremos e filmaremos o processo de aprendizagem de tais tarefas, que se realizadas com sucesso, serão apresentadas ao vivo no dia do projeto, em forma de transferência em uma atividade dançante, do qual os alunos executarão os movimentos do poomse de forma livre, em um novo contexto, entendendo que mesmo apesar da não exigência de performance, os elementos uma vez incorporados, fazem parte não só da sua programação motora, mas da sua memória corporal.
Ainda temos muito a construir, tarefas, aplicação de aula, transferência e principalmente embasamento teórico, e esperamos acima de tudo, não só fazer um trabalho que toque, mas que realmente nos ensine a ensinar. 

Referências bibliográficas:

BRIKMAN, Lola.
A linguagem do movimento corporal.
2º edição. Editora: Summus - São Paulo, 1989.

GALLAHUE, D.L. & OZMUN, J.C.
Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos.
São Paulo, Editora: Phorte, 2003.

SCHMIDT, Richard A. e WRISBERG, Craig A.
Aprendizagem e Performance Motora.
 2º edição - Editora: Artmed, Porto Alegre, 2001.

TANI, GO
Comportamento Motor – Aprendizagem e desenvolvimento.
 Editora: Guanabara Koogan – Rio de Janeiro, 2005.